segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Blumenau em calamidade pública

FOTOS: http://www.flickr.com/photos/32748042@N04/

Mesmo tendo sido testemunha das grandes enchentes de 83 e 84 e de lembrar do desespero envolvido naquela catástrofe, posso dizer que nunca vi algo tão avassalador por aqui.

Somos acostumados às intempéries. Sabemos que existe um ciclo de cheias em nossa região. Temos consciência das cotas de enchente de cada rua e de onde é segura a construção de habitações.

Mas o que se dizer quando a cidade se dissolve? Não existe cota ou aviso prévio para o momento em que um solo vira uma gelatina.

Um dos morros atingidos... (rua hermann huscher) Centro de Blumenau
http://www.youtube.com/watch?v=2f_ZvUMOW1I

Na mesma rua, momento da queda de uma das casas
http://www.youtube.com/watch?v=-2fGFcVk9KY&feature=related

Mata virgem, casa, barranco, muro, árvore. O solo deixou de sustentar.

Vejo o exército guiando o trânsito. Vejo morros pela metade. Vejo todas as ruas - antes seguras - transformarem-se em uma pasta de barro e entulho. Vejo depoimentos repetidos - assustadores.
Eu caminho pelo meu bairro e entro nos estabelecimentos que resistem abertos (padarias, conveniências) e pergunto sobre o que aconteceu por perto. As respostas são as mesmas.

As 3 pessoas com quem conversei moram próximas de regiões onde mais de 3 casas caíram (uma pessoa viu um morro inteiro cair, sem saber quantas casas foram destruídas, outra também - dizendo que uma das casas tinha 3 andares, outra falou que 5 casas caíram).

O cemitério do meu bairro despencou.

Não consigo descrever a quantidade de barro que está pelas ruas.

Em meu flickr as fotos.

Ficamos 20h seguidas sem energia. Espaços com energia. Sem energia de novo.

Vamos ficar sem água por 10 ou 15 dias. Uma adutora rompeu-se.

FOTOS: http://www.flickr.com/photos/32748042@N04/

Um comentário:

Gilson de Azevedo disse...

Obrigado pelos relatos sensíveis. Estou acompanhando tudo muito apreensivo aqui de Porto Alegre. Meus pais estão no bairro Garcia sem luz e sem água. Esse é o menor dos males.
Que tudo acabe logo e que as pessoas logo possam colocar em prática a sua garra característica.
Abraço.