segunda-feira, 15 de abril de 2013

Quando todos parecem iguais

Amadurecimento da democracia passa pelo renascimento da direita e pela revisão das ideologias de centro e esquerda no Brasil.

A falta de contraponto ao poderoso bloco de partidos governistas tidos de centro-esquerda enfraquece os alicerces da política brasileira. O povo, decepcionado com as opções que aí estão e sem se identificar com partido algum, permanece alheio às decisões políticas. A reinvenção da direita no Brasil abre uma nova esperança de opção política. A iniciativa de Cibele Baginski, de 22 anos, de ressucitar o partido de direita Arena, tem encontrado simpatizantes. “Faltam ideologia e pragmatismo na política nacional, os partidos são movidos por interesses e conveniências e não existe direita no Brasil. Queremos oferecer aos brasileiros um partido que represente a genuína direita. Faremos isso assim que reunirmos o número de assinaturas necessárias para obter o registro da Arena, o que deve ocorrer no ano que vem.” diz a estudante de direito.

A subida ao poder de José Sarney, através da primeira eleição pós-ditadura, criou, com o passar dos anos, a necessidade da renovação.  Como representante desse desejo  foi eleito, em 1988, Fernando Collor de Mello.  Os escândalos e a queda de Collor foram o pontapé para o governo de centro de Itamar Franco, do PMDB.  Sua principal marca foi a reorganização econômica possibilitada pela implantação do Plano Real, sob a regência do então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso (FHC). O sucesso do Plano Real impulsionou a candidatura da ideologia de centro-direita de FHC à presidência, em 1994, assim como sua reeleição em 1998. O mergulho do Brasil na crise internacional no segundo mandato de FHC e a corrosão de seu governo por escândalos permitiu que o primeiro governo de esquerda chegasse ao poder, através de Luís Inácio Lula da Silva (Lula), do PT. Assim como FHC, Lula se reelegeu e elegeu seu sucessor. 

A sequência de pequenos e grandes escândalos dentro do governo Lula, sua ideologia rasa marcada pelo alinhamento com o continuismo das políticas de FHC, o suborno da classe miserável com o Bolsa-Família e a venda de cargos para partidos de centro em troca de apoio político sinalizam que por aqui todas as ideologias que chegam ao poder tornam-se apenas bandeja para negociação e cargos e verbas. O único fio de esperança que nos resta é assistir o renascimento da direita torcendo para que, pautados em princípios mais sólidos e mais ideológicos, eles tenham condição de causar uma revolução, não apenas através da colocação de representantes no poder,  mas também a semente da reflexão nos partidos de centro e esquerda brasileiros.

Gerente de Projetos

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